PERDIGUEIRO PORTUGUÊS

ORIGEM

Portugal.

DATA DE PUBLICAÇÃO
DO ESTALÃO DE ORIGEM EM VIGOR

04-11-2008.

UTILIZAÇÃO

Cão de Caça.

CLASSIFICAÇÃO FCI

Grupo 7 – Cães de Parar
Secção 1.1 – Cães de Parar Continentais, tipo Braco.
Com prova de trabalho.

BREVE RESUMO HISTÓRICO

O Perdigueiro Português tem origem na Península Ibérica; descende do antigo Braco Peninsular que é um ancestral comum a outros cães de parar.
Evoluiu adaptando-se ao clima, terreno e tipo de caça bem como à selecção imposta por critérios sócio-culturais para a caça ao longo dos séculos.
A raça conservou a sua morfologia bem como os critérios de utilização, que são similares aos dos nossos dias.
A sua existência está documentada em Portugal pelo menos desde o século XII. No século XIV era conhecido como "podengo de mostra" evidenciando já a sua apetência para a caça. Era criado nos canis reais e da nobreza e utilizado na caça ao falcão.
No século XVI, já designado como Perdigueiro (de perdiz), era também utilizado pelo povo.
A fixação das actuais características e sua difusão por parte de um grupo de criadores e caçadores tem início no princípio do século XX.

ASPECTO GERAL

Cão bracóide de tamanho médio, rectilíneo, robusto mas com uma estrutura harmoniosa acompanhada de uma grande leveza de movimentos. Vistas de perfil, as linhas superior e inferior formam uma silhueta elegante.

PROPORÇÕES IMPORTANTES

Corpo quadrado ou quase. Relação crânio/chanfro de 6:4; Relação altura ao garrote/altura do peito de 2:1.

COMPORTAMENTO / CARÁCTER

Extremamente meigo e afectivo, rústico e capaz de uma grande resistência e de uma grande devoção.
Calmo e bastante sociável, mas um tanto petulante para os congéneres. Curioso por natureza, trabalha com persistência e vivacidade. Muito inflamado com a caça, colabora sempre estreitamente com o caçador.

CABEÇA

Proporcionada ao corpo, bem construída, com dimensões harmoniosas, dá sempre a impressão de ser maior do que realmente é. Um pouco grossa, não ossuda ou empastada. Revestida de pele flácida e fina, não apresenta rugas. Vista de perfil é rectilínea
e quadrada vista de frente. Os eixos crânio-faciais longitudinais superiores são convergentes.

REGIÃO CRANIANA

Crânio: Visto de face é quadrado, com a linha superior quase plana; ligeiramente abaulado visto de perfil.
O comprimento do crânio não deve ultrapassar 6/10 do comprimento total da cabeça com um índice cefálico de 60%.
De frente a testa é quase plana, alta, larga e simétrica; ligeiramente abaulada vista de perfil.
As arcadas supraciliares são bem desenvolvidas.
O sulco frontal é largo e pouco profundo.
A protuberância occipital é pouco aparente.
Stop: Bem marcado (90-100º).

REGIÃO FACIAL

Trufa: Preta, forma um rectângulo perfeito (90%) com o chanfro e o lábio superior. É de boa conformação; as narinas são largas, húmidas e bem abertas.
Chanfro: Rectilíneo e horizontal; suficientemente largo e da mesma largura por todo o seu comprimento o que representa 4/10 do comprimento total da cabeça.
Lábios: Lábio superior pendente, quadrado visto de perfil. Forma um ângulo direito (90%) com o chanfro; vistos de perfil os lábios formam meia-lua com a extremidade; vistos de frente formam um ângulo estreito com a linha inferior. O lábio superior une-se ao inferior por comissuras flácidas e pregueadas, o que faz com que os cantos sejam um pouco abertos. A boca é moderadamente fendida; as mucosas apresentam uma pigmentação irregular; oclusão normal permitindo a sobreposição dos lábios.
Maxilas / dentes: Dentição sã, correcta e completa, com articulação em tesoura.
Faces: Paralelas. A prega atrás da comissura labial é pouco visível; a região parótida é bem cheia.
Olhos: Expressivos, muito vivos, castanhos de tonalidade mais escura que a pelagem; ovais quase redondos, grandes mas sem exagero, horizontais, enchendo bem a órbita. Pálpebras finas e bem abertas, de pigmentação preta.
Orelhas: De inserção acima da linha dos olhos, em direcção à parte de trás da cabeça. Caídas, são quase planas com uma ou duas rugas longitudinais quando o animal está em atenção; de forma triangular, bem mais largas na base que na extremidade que é arredondada (relação 2.5:1). O comprimento das orelhas deve ser ligeiramente superior ao do crânio. São finas, macias e revestidas de um pêlo fino, denso e muito curto.

PESCOÇO

Direito, ligeiramente arqueado no terço superior; de comprimento não inferior ao comprimento total da cabeça; não muito grosso e guarnecido de curta barbela. O pescoço deve ligar-se à cabeça de forma graciosa seguindo uma inclinação aproximadamente de 90º; a transição pescoço/tórax deve ser harmoniosa.

TRONCO

Linha dorsal: Rectilínea, subindo ligeiramente da garupa ao garrote.
Garrote: Não muito alto.
Dorso: Curto, largo, rectilíneo inclinando-se ligeiramente da garupa para o garrote.
Rim: Curto, muito largo, de forte musculatura, ligeiramente arqueado e deve unir-se bem à garupa.
Garupa: De largura proporcional à da região lombar; conformação harmónica com um eixo ligeiramente obliquo inclinando-se um pouco para baixo.
Peito: Alto e largo, com boa amplitude do tórax, mais desenvolvido no sentido da altura e da profundidade do que em largura. Deve descer ao cotovelo. Na parte superior as costelas são bem arredondadas e muito largas; em corte transversal a caixa torácica é em
forma de ferradura com as partes laterais unidas pelo esterno.
Linha inferior e ventre: Ligeiramente oblíqua do esterno às virilhas. O ventre plano liga-se às ancas numa curva arredondada; a distância que separa a anca da última costela dá ao flanco um aspecto curto e cheio.

CAUDA

Inteira: De comprimento médio, não deve ultrapassar o jarrete. Direita, de média inserção, grossa na base, adelgaçando gradualmente para a extremidade. Bem ligada, em perfeita continuidade com a linha da garupa. Em repouso cai naturalmente, nunca entre as pernas. Em movimento, eleva-se na horizontal ou um pouco acima da linha dorsal mas nunca na vertical ou em forma de foice.
Amputada: De maneira a cobrir as partes genitais sem as ultrapassar.

MEMBROS

MEMBROS ANTERIORES: Aprumados, vistos de frente; perfeitamente paralelos ao eixo mediano do corpo; vistos de perfil, os aprumos dão uma impressão de grande estabilidade, de apoio e de uma facilidade natural de movimento.
Ombros: Compridos, de inclinação média, bem colocados e fortemente musculados. Ângulo escapulo – umeral de 120º.
Braços: Bem colocados junto ao tórax. O seu comprimento está em relação com o do ombro; a sua angulação está em relação com o grau de inclinação do ombro.
Cotovelos: Separados do tórax pela axila, os contornos são nítidos; o cotovelo é bem descido, equidistante da linha mediana do corpo, nem virado para dentro nem para fora. Ângulo úmero – radial de 150º.
Antebraços: Desligados do corpo, compridos, direitos e perpendiculares ao chão, vistos de frente e de perfil.
Carpos: Em perfeita continuação do antebraço.
Metacarpos: Largos, ligeiramente oblíquos.
Mãos: Proporcionadas ao comprimento dos membros, mais arredondadas do que compridas, sem se assemelhar ao pé de gato. Dedos bem formados, fechados, uniformes e sólidos para proporcionar um bom apoio. As almofadas são fortes e bem desenvolvidas; a pele é preta, espessa, dura e resistente. As unhas são fortes, duras e de preferência pretas.

MEMBROS POSTERIORES: Aprumados vistos por detrás e de perfil e paralelos ao eixo mediano do corpo.
Coxas: Compridas, largas, bem musculadas. As nádegas apresentam uma curva mais ou menos acentuada; compridas com uma musculatura mais ou menos elástica. Ângulo coxo-femural de 95º.
Joelhos: Um pouco abaixo, mas suficientemente perto do abdómen. Ligeiramente salientes e um pouco desviados para fora. Ângulo fémuro-tibial de 120º.
Pernas: Bem colocadas, de comprimento proporcional ao das coxas, a sua angulação deve estar relacionada com a inclinação da garupa.
Jarretes: Suficientemente abertos e bem colocados, largos e espessos com contornos nítidos. Ângulo tíbio – társico de 145º.
Metatarsos: De comprimento médio ou curto, verticais, aproximadamente cilíndricos, secos e de espessura regular.
Pés: Idênticos às mãos mas ligeiramente mais longos.

ANDAMENTOS

Movimentos normais, fáceis e elegantes. Polivalente no trabalho, adapta-se facilmente ao terreno, às condições climáticas e à caça; o movimento alterna entre o galope compreendendo um tempo de suspensão e um trote amplo e fácil.

PELAGEM

PÊLO: Curto, duro, bem cerrado e denso, bem distribuído sobre todo o corpo excepto nas axilas, virilhas, região anal e a região genital onde o pêlo é mais raro e macio.
É mais fino e mais curto na cabeça e principalmente nas orelhas, que dão aspecto de aveludado. Sem sub-pêlo.
COR: Amarela nas tonalidades clara, média e escura, unicolor ou com marcas brancas na cabeça, pescoço, peitoral, extremidade inferior dos membros, debaixo dos cotovelos e dos jarretes e na extremidade da cauda quando não é cortada.

ALTURA E PESO

Altura ao garrote:
Machos: 56 cm +/- 4 cm.
Fêmeas: 52 cm +/- 4 cm.
Peso:
Machos: 20-27 Kg.
Fêmeas: 16-22 Kg.

DEFEITOS

Qualquer desvio em relação ao estalão deve ser considerado como defeito e penalizado de acordo com a sua gravidade e das suas consequências na saúde e bem-estar do cão.
Comportamento: Cão tímido.
Cabeça: Relação crânio/chanfro não correspondendo a 6/4. Estreita. Protuberância occipital saliente. Seio frontal muito desenvolvido. Sulco frontal saliente. Presença de rugas.
Trufa: De outra pigmentação que não a preta.
Chanfro: Curto ou comprido.
Lábios: Lábio superior não quadrado. Comissura labial não perceptível. Pigmentação incorrecta das mucosas.
Dentes: Em pinça.
Olhos: Pequenos, claros, sem expressão; muito redondos.
Orelhas: Inserção média, muito grandes ou muito pequenas, extremidade pontiaguda.
Pescoço: Muito curto. Sem barbela ou com muita barbela.
Tronco: Peito pouco desenvolvido.
Cauda: Cauda natural muito curta, de inserção muito baixa ou de porte atípico (na vertical ou em foice).
Membros e pés: Nem virados para dentro nem para fora, pés planos.
Pelagem: Pêlo macio.

DEFEITOS GRAVES

Comportamento: Muito tímido.
Cabeça: Relação crânio/chanfro muito diferente de 6/4. Stop insuficientemente marcado. Eixos crânio-faciais paralelos.
Chanfro: Oblíquo.
Olhos: Oblíquos. Estrabismo.
Orelhas: Carnudas, de inserção baixa, excessivamente dobradas ou em saca-rolhas.
Tronco: Linha dorsal enselada ou encarpada.
Garupa demasiado descaída.
Corpo demasiado comprido, tórax muito redondo.
Ventre arregaçado.
Pelagem: Marcas brancas fora dos limites definidos pelo estalão.
Tamanho: Muito grande ou muito pequeno.

DEFEITOS ELIMINATÓRIOS (DESQUALIFICAÇÕES)

Comportamento: Cão agressivo ou muito tímido.
Cabeça: Atípica com chanfro convexo, muito comprida ou muito curta; crânio demasiado estreito. Eixos longitudinais superiores crânio – faciais divergentes.
Trufa: Totalmente despigmentada.
Maxilas: Prognatismo superior ou inferior.
Olhos: Desiguais na forma e tamanho, de cor diferente. Esbranquiçados, cegueira congénita.
Surdez: Congénita ou adquirida.
Corpo: Totalmente atípico, sinais de cruzamento com outras raças.
Pelagem: Diferente do tipo da raça.
Cor: Albinismo. Outras cores que não as descritas.
Todo o cão que apresentar, de forma evidente, anomalias de ordem física ou comportamental deve ser desqualificado.
Nota: Os machos devem apresentar os dois testículos, de aparência normal, bem descidos no escroto.